UFRJ aprova cotas para pessoas trans, travestis e não-binárias com mobilização de Beny Briolly
- Gilson da Gama Barcellos

- 30 de out.
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Rio de Janeiro, 30/10/2025
Por Redação GBNEWS
Fotos: Divulgação

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aprovou, nesta quinta-feira (30), a criação de cotas para pessoas trans, travestis e não-binárias nos cursos de graduação e pós-graduação. A pauta foi aprovada pelo Conselho Universitário (Consuni) e poderá ser implementada já no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) de 2026.
A nova política reserva 2% das vagas de cada curso para pessoas trans, travestis e não-binárias. Em cursos de menor oferta, será garantida ao menos uma vaga, mesmo que isso ultrapasse o percentual previsto — uma medida que reforça o compromisso da universidade com a inclusão real e efetiva dessa população.
A aprovação é resultado direto da articulação entre os movimentos sociais Rede Trans UFRJ e Coletivo Rua, com apoio e mobilização da vereadora de Niterói e ativista Benny Briolly PSOL), que vem atuando de forma contínua pela ampliação das políticas afirmativas voltadas à população trans.

“A gente pensou como uma das principais políticas de inserção na sociedade, seria a partir do ingresso no mercado de trabalho. E para isso o ingresso na faculdade é fundamental. Tivemos essa conquista na UFF, que foi uma das primeiras do Brasil a aprovar a cota para pessoas trans, e com este sucesso, expandimos essa articulação para a UFRJ, onde o movimento trans tomou o protagonismo. E estamos dando todo o apoio, participando de algumas reuniões e confiantes da aprovação”, afirmou Benny antes da votação.
Com a aprovação, a UFRJ se soma à Universidade Federal Fluminense (UFF) — que, ainda no início do mandato de Benny, implementou 2% das vagas da graduação e uma vaga extra por curso de pós-graduação para pessoas trans. Agora, com a medida confirmada na maior universidade federal do país, o Rio de Janeiro se consolida como referência nacional em políticas afirmativas para a população trans.
Contexto e relevância
O Brasil segue sendo o país com o maior número absoluto de assassinatos de pessoas trans e travestis no mundo. No estado do Rio de Janeiro, essa vulnerabilidade é ainda mais acentuada.
No campo educacional, os números também revelam exclusão: cerca de 82% das pessoas trans e travestis abandonam o ensino médio entre os 14 e 18 anos, e a presença dessa população nas universidades federais representa menos de 0,5% das matrículas — com estimativas de apenas 0,02% em determinados levantamentos.
A conquista das cotas na UFRJ simboliza, portanto, um marco histórico na luta contra a exclusão educacional e na busca por equidade e representatividade dentro do ensino superior público.
Avanço político e articulação municipal
Além de acompanhar e apoiar diretamente a tramitação da proposta na UFRJ, Benny Briolly também articula em Niterói uma política municipal voltada para a inclusão educacional de pessoas trans. O projeto prevê a criação de cursos pré-vestibulares específicos, com foco em qualificação e integração entre município, universidade e sociedade civil.
A vereadora reforça que o objetivo é atuar de forma transversal — desde a base até o ensino superior — enfrentando o ciclo de evasão e exclusão que historicamente afasta pessoas trans das oportunidades acadêmicas e profissionais.
Impactos esperados
•Ampliação do acesso de pessoas trans à graduação e pós-graduação, favorecendo a diversidade e corrigindo desigualdades históricas.
•Fortalecimento da permanência e da representatividade trans dentro da universidade.
•Expansão de oportunidades no mercado de trabalho qualificado, rompendo o ciclo da informalidade.
•Estímulo a outras instituições públicas a adotarem políticas afirmativas semelhantes.
•Consolidação do Rio de Janeiro como polo nacional de avanços em políticas inclusivas.


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