Prefeito Quaquá denuncia ministra Anielle Franco à Comissão de Ética do PT
- Gilson da Gama Barcellos

- 18 de fev.
- 3 min de leitura
Rio de Janeiro, 18/02/2025
Por Redação GBNEWS

Washington Quaquá X Anielle Franco
Um dos vice-presidentes nacionais do PT e prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá afirmou que irá denunciar a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, ao Conselho de Ética do partido nesta semana.
O dirigente diz ter encontrado indícios de que a correligionária foi responsável pela indicação de um suposto funcionário fantasma no município durante a gestão passada. Anielle, por sua vez, nega qualquer irregularidade.
O episódio representa um novo capítulo no embate entre os dois petistas. Em janeiro, Anielle também afirmou que denunciaria Quaquá à mesma Comissão de Ética do partido por declarações do prefeito a respeito do assassinato de sua irmã, a vereadora Marielle Franco.
Quaquá relata, agora, ter sido avisado sobre a contratação de um funcionário fantasma a pedido de Anielle. Segundo ele, ao investigar o caso, descobriu que o indicado agia como um “consultor” de um projeto do ministério enquanto era nomeado em Maricá.
“Na esquerda e na direita essa gente virou santo de bordel. Isso tem tirado a credibilidade da política. Vou entrar com pedido na Comissão de Ética nesta semana e mostrar ao PT todos os indícios que já tenho”, disse Quaquá ao GLOBO.
O funcionário citado por Quaquá é Alex da Mata Barros, lotado na autarquia Serviços de Obras de Maricá (Somar). Ele foi admitido no cargo no município em 1/6/2021 e deixou a posição de assessor especial no primeiro dia de 2025. O GLOBO não conseguiu localizar Barros para comentar a denúncia.
O vice-presidente do PT afirma que o servidor também prestou serviços para o Ministério da Igualdade Racial no período em que atuava na secretaria municipal. Ele foi contratado como consultor do Projeto Gente Negra “Reconstrução e Desenvolvimento” em maio de 2024.
Procurada pelo GLOBO, a pasta pontuou que a vaga de consultor foi oferecida pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (Banco CAF). “Esclarecemos que a ministra Anielle Franco não realizou indicações nem para a prefeitura, nem para a vaga de consultor oferecida pelo CAF”, destaca a nota.
Ainda de acordo com o ministério, “o edital de seleção foi elaborado seguindo os critérios e padrões internacionais informados pelo banco”. “O edital foi devidamente divulgado pelo site do Ministério da Igualdade Racial para conhecimento público e foram analisados currículos e propostas de candidatos que se inscreveram”, prossegue o texto, acrescentando que “os selecionados têm experiência e capacidade técnica compatíveis com o cargo e prestam serviços conforme suas expertise e currículos”.
‘Surfar na onda da irmã assassinada’
Em janeiro, Anielle disse que acionaria o Conselho de Ética do PT contra Quaquá após uma postagem do prefeito ao lado de familiares de Domingos e Chiquinho Brazão. Os dois políticos foram presos no ano passado acusados como mandantes da execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Na ocasião, também nas redes sociais, a ministra da Igualdade Racial havia pedido para Quaquá “tirar o nome” da irmã “da boca”. Anielle ainda classificou como “inacreditável” ver pessoas “se aproveitarem e usarem” o caso Marielle “sem qualquer responsabilidade”.
Nesta segunda-feira, Quaquá voltou a tratar do tema. Ele disse que defende “não apenas a inocência dos irmãos Brazão”, mas que acredita que o “processo é absurdo e sem provas”.
“Para surfar na onda da irmã assassinada, como sempre fez, ela quis me denunciar, pedindo absurdamente uma Comissão de Ética por crime de opinião”, disparou Quaquá.
Com informações de O Globo


Comentários