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Novembro Azul: Rio pode registrar mais de 9 mil casos de câncer de próstata em 2026

há 5 horas
4 min de leitura

Rio de Janeiro, 03/11/2026

(Foto: Divulgação)


O Rio de Janeiro deve registrar 9.090 novos casos de câncer de próstata em 2026, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Desse total, 3.570 são esperados somente na capital fluminense, o equivalente a quase dez diagnósticos por dia. Os números colocam a doença entre os principais desafios da saúde masculina no estado e reforçam a importância do Novembro Azul, campanha que busca conscientizar os homens sobre os cuidados com a saúde e a necessidade de investigar fatores de risco antes do aparecimento de complicações.

 

A preocupação é ainda maior porque o câncer de próstata pode se desenvolver silenciosamente. Em suas fases iniciais, a doença frequentemente não provoca dor ou alterações urinárias, fazendo com que muitos homens acreditem estar saudáveis. O risco aumenta com o envelhecimento, especialmente após os 60 anos, e pode ser maior entre aqueles com histórico familiar da doença ou determinadas predisposições genéticas.

 

Para o urologista Dr. Mark Fernando Neumaier, a prevenção precisa considerar as particularidades de cada paciente. “Prevenção não significa fazer todos os exames disponíveis, mas realizar aqueles que realmente fazem sentido para cada paciente. Um homem com histórico familiar de câncer de próstata pode precisar de uma abordagem diferente de outro sem fatores de risco. O acompanhamento individualizado evita tanto diagnósticos tardios quanto exames e tratamentos desnecessários”, explica.

 

Entre os sinais que merecem atenção estão a dificuldade para urinar, o enfraquecimento do jato urinário, a necessidade de levantar várias vezes durante a madrugada e a sensação de que a bexiga não foi completamente esvaziada. Entretanto, essas manifestações não significam necessariamente câncer. O aumento benigno da próstata, conhecido como hiperplasia prostática benigna, também pode provocar sintomas semelhantes e comprometer significativamente a qualidade de vida.

 

O urologista Dr. Lucas Takikawa destaca a importância de diferenciar essas condições antes de definir qualquer tratamento. “A presença de sintomas urinários não permite concluir que existe câncer, assim como a ausência de sintomas não descarta a doença. É fundamental diferenciar as condições e evitar tanto o medo desnecessário quanto a negligência com a própria saúde”, orienta.

 

A avaliação da próstata pode envolver exames como o PSA, realizado por meio de coleta de sangue, e o toque retal, dependendo da idade, do histórico familiar e das condições clínicas. A decisão sobre o rastreamento em homens sem sintomas deve ser individualizada, considerando benefícios e possíveis riscos. Já aqueles que apresentam alterações persistentes precisam procurar atendimento médico para investigar a causa, independentemente da faixa etária.

 

Quando o câncer é diagnosticado, as possibilidades de tratamento variam conforme a agressividade do tumor e o estágio da doença. Alguns pacientes podem ser acompanhados por vigilância ativa, enquanto outros necessitam de cirurgia, radioterapia ou tratamentos sistêmicos. Entre os avanços da medicina está a cirurgia robótica, que permite realizar procedimentos com visualização ampliada e instrumentos de alta precisão, contribuindo para uma abordagem menos invasiva em casos selecionados.

 

O urologista Dr. Thomas Vallezi Battaglia, especialista em uro-oncologia e cirurgia robótica, explica que a tecnologia pode ajudar a preservar estruturas importantes durante o procedimento. “A cirurgia robótica permite uma visualização ampliada das estruturas e movimentos bastante delicados, o que pode contribuir para preservar tecidos importantes para a continência urinária e a função sexual. Entretanto, os resultados dependem de fatores como as características do tumor, a anatomia do paciente e a experiência da equipe”, ressalta.

 

Apesar dos avanços, o tratamento do câncer de próstata ainda desperta receios relacionados à incontinência urinária e às alterações na função sexual. Por isso, especialistas defendem que os pacientes recebam informações claras sobre as possibilidades terapêuticas e participem das decisões médicas. Nem todo diagnóstico exige cirurgia imediata, e a escolha da abordagem deve priorizar tanto o controle da doença quanto a qualidade de vida.

 

A saúde masculina, entretanto, não deve ser lembrada apenas quando o assunto é próstata. Doenças cardiovasculares, como hipertensão e problemas nas artérias coronárias, também podem evoluir sem manifestações evidentes. O cardiologista Dr. Carlo Bonasso Filho, médico do Instituto do Coração (InCor-HCFMUSP) e do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, destaca em seus trabalhos a importância da prevenção cardiovascular. A pressão alta, por exemplo, pode permanecer silenciosa durante anos e aumentar o risco de infarto e acidente vascular cerebral.

 

No Rio de Janeiro, onde milhares de homens podem receber o diagnóstico de câncer de próstata ao longo de 2026, o Novembro Azul representa uma oportunidade para estimular uma mudança de comportamento. Acompanhamento médico, atividade física regular, alimentação equilibrada, controle do peso e atenção aos sintomas são medidas importantes para a saúde geral, embora não eliminem o risco de desenvolvimento de tumores.

 

Para Mark Neumaier, o principal desafio é fazer com que a preocupação com a saúde continue após o encerramento da campanha. “Cuidar da saúde não é sinal de fragilidade. Pelo contrário, significa preservar autonomia, disposição e qualidade de vida. O homem precisa compreender que não deve esperar uma doença avançar ou um sintoma se tornar insuportável para procurar ajuda. Novembro é um lembrete importante, mas esse cuidado precisa acontecer durante os doze meses do ano”, conclui.

 

Sobre os especialistas

 

Dr. Mark Fernando Neumaier (CRM-PR 26.297 | RQE 17.114) é urologista, doutor pela PUC-PR, professor de Urologia e fundador da Clínica Uromann. Atua em uro-oncologia, saúde sexual masculina e tratamentos minimamente invasivos.

 

Instagram: @dr.markneumaier

 

Dr. Lucas Takikawa é médico urologista, com atuação no diagnóstico e tratamento de doenças da próstata, alterações urinárias e procedimentos endoscópicos minimamente invasivos, incluindo a técnica HoLEP.

 

Dr. Thomas Vallezi Battaglia é urologista, com atuação em uro-oncologia, cirurgia robótica e procedimentos minimamente invasivos.

 

Instagram: @drthomasbattaglia.urologista

 

Dr. Carlo Bonasso Filho é cardiologista, médico do Instituto do Coração (InCor-HCFMUSP) e do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.

 

Por Redação GBNEWS

 

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