Campanha contra abuso infantil chega ao metrô do Rio
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Rio de Janeiro, 20/5/2026
Por Redação GBNEWS
Fotos: Divulgação

Até sexta-feira, 22 de maio, uma vinheta de conscientização da “Operação Rio Sem Abuso” será exibida em todos os trens do MetrôRio, ampliando o alcance da campanha de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes para milhares de passageiros que utilizam diariamente o transporte público na capital fluminense.
A ação faz parte da mobilização criada em alusão ao 18 de Maio — Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes — e transforma o sistema metroviário em uma das maiores vitrines públicas da campanha no Rio.
Segundo dados do Data.Rio, o metrô da cidade do Rio de Janeiro registrou, no último ano, um fluxo médio de 634 mil passageiros por dia. A expectativa é utilizar essa grande circulação para reforçar mensagens de prevenção, denúncia e proteção de crianças e adolescentes, levando informação de forma acessível e direta à população.
A mobilização teve início nesta segunda-feira (18), com uma ação de conscientização realizada na Avenida Princesa Isabel, em Copacabana, reunindo equipes da Polícia Militar e da DCAV — Delegacia de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vítima, da Polícia Civil.
A “Operação Rio Sem Abuso” conta com uma série de ações integradas ao longo da semana, envolvendo órgãos públicos, forças de segurança e instituições de proteção à infância.
A operação é liderada pelo Instituto Anjos, organização sem fins lucrativos dedicada à orientação e capacitação de pessoas para identificar e agir diante de situações de violência contra crianças e adolescentes, em parceria com as forças de segurança pública.

À frente do projeto está Maura de Oliveira, cuja própria trajetória deu origem à instituição. Subtraída da família aos 4 anos de idade, Maura viveu nas ruas do Rio de Janeiro, dormiu debaixo de uma ponte, enfrentou fome e sofreu violência sexual dos 6 aos 16 anos. Hoje, transforma sua história em uma mobilização permanente de proteção à infância e enfrentamento aos abusos.
“Eu fui uma criança invisível por muitos anos. Hoje, eu volto à luta não como vítima, mas como voz de milhares de crianças que ainda não conseguem falar. Prevenir é salvar infâncias”, afirma Maura de Oliveira, presidente do Instituto Anjos.
Segundo levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), uma média de 150 casos de estupro de vulnerável foi registrada por dia no primeiro trimestre de 2026. Ao todo, foram 13.462 ocorrências até março.
Especialistas alertam ainda que apenas cerca de 10% dos casos são denunciados. Em mais de 80% das ocorrências, o agressor é alguém conhecido da vítima, o que torna a violência ainda mais silenciosa e difícil de ser identificada.
O avanço da violência sexual infantil no ambiente digital também preocupa autoridades internacionais. Segundo o UNICEF, cerca de 3 milhões de crianças e adolescentes brasileiros sofrem violência sexual online todos os anos — o equivalente a 1 em cada 5 jovens.
Dados da Interpol indicam que mais de 4,9 milhões de imagens e vídeos de abuso infantil já foram catalogados para investigação, evidenciando como esse tipo de crime ultrapassa fronteiras e cresce também no ambiente digital.
As ações serão encerradas no próximo dia 23 de maio, durante o clássico entre Flamengo e Palmeiras, no Maracanã, com uma grande ativação de conscientização prevista para acontecer durante a partida, que terá início às 21h.
No estádio, a campanha contará com a exibição de um vídeo de conscientização no telão de LED do Maracanã, reforçando a importância da prevenção e do combate à violência sexual infantil. Também haverá distribuição de bonecos educativos de prevenção e entrega de livros infantis com conteúdo pedagógico.
Mais do que uma mobilização simbólica, a campanha busca romper o silêncio em torno da violência sexual infantil e transformar informação em prevenção. Em um cenário onde a subnotificação ainda é um dos maiores desafios, as ações pretendem estimular a denúncia, o acolhimento e a proteção ativa de crianças e adolescentes.
“Esses números não são estatísticas frias — são infâncias sendo destruídas em silêncio todos os dias. Precisamos aprender a ver, ouvir e agir”, afirma Maura de Oliveira.
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