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Bets viram problema econômico e tema central da campanha eleitoral

há 6 horas
3 min de leitura

Rio de Janeiro, 10/9/2026

(fotos divulgação)


As apostas online deixaram de ser apenas uma questão de comportamento individual e passaram a representar um problema econômico com reflexos sobre o consumo, o crédito e o comércio.

 

Estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da USP (Made-USP) estima que as bets retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica brasileira em 2025, enquanto as perdas líquidas das famílias chegaram a R$ 62,5 bilhões. O impacto ganhou dimensão ainda maior em 2026: diante do avanço do endividamento e da perda de renda, o tema entrou na agenda do governo e do Congresso e passou a ocupar espaço na campanha eleitoral. Para a CDL Petrópolis, a discussão precisa considerar não apenas os riscos individuais das apostas, mas também o dinheiro que deixa de circular na economia real.

 

O estudo parte de uma perda líquida de R$ 62,5 bilhões das famílias para as plataformas de apostas — diferença entre o dinheiro apostado e os valores recebidos de volta. Para o presidente da CDL Petrópolis, Cláudio Mohammad, o impacto precisa ser observado também sob a perspectiva da circulação de renda.

 

“Quando o dinheiro é gasto no comércio, ele não para na compra. Ele paga salários, fornecedores, aluguel, transporte, impostos e volta a circular na economia. Quando uma parcela dessa renda é desviada para as apostas, esse efeito multiplicador diminui. É um dinheiro que deixa de movimentar uma cadeia inteira de atividades”, afirma.

A preocupação ganha outra dimensão diante dos efeitos sobre a saúde financeira dos consumidores. Um estudo realizado com dados de movimentação bancária e transações via Pix identificou que, nos 12 meses seguintes ao início das apostas, a proporção de pessoas inadimplentes ficou, em média, 20% maior entre os apostadores. O estudo também apontou redução de aproximadamente 16% no limite de crédito disponível para essas pessoas.

 

“Para o comércio, não existe consumo sem renda disponível e sem crédito saudável. Se o consumidor compromete uma parcela crescente do orçamento com apostas, ele reduz sua capacidade de comprar, parcelar e planejar. Isso acaba chegando ao lojista, especialmente aos pequenos negócios, que dependem do consumo das famílias”, explica Cláudio.

 

A dimensão do fenômeno também aparece em pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), segundo a qual 17% da população economicamente ativa realizou apostas online em 2025. O levantamento mostra ainda que a busca por ganhos rápidos em momentos de necessidade financeira está entre as principais motivações dos apostadores.

Na avaliação da CDL, o desafio não é apenas discutir a regulamentação das plataformas, mas ampliar a educação financeira e estimular uma relação mais consciente da população com sua renda. “O consumidor precisa perceber que renda não é apenas aquilo que entra no bolso, mas também aquilo que conseguimos preservar e transformar em consumo, patrimônio e qualidade de vida. O comércio depende de uma economia em que o dinheiro circule e gere oportunidades. Por isso, esse debate interessa a toda a sociedade”, aponta Cláudio Mohammad.

 

Apostas on-line nas agendas das campanhas eleitorais

A dimensão alcançada pelo problema também colocou as bets no centro da agenda política de 2026. O tema já aparece na propaganda eleitoral e entre as pautas apresentadas por candidatos ao Senado, enquanto governo federal e Congresso discutem novas medidas para restringir publicidade, patrocínio e acesso às plataformas, além de propostas que estabelecem limites para depósitos e ampliam a proteção a grupos vulneráveis.

 

Pesquisas de opinião ajudam a explicar a força que o assunto ganhou na campanha: levantamentos recentes apontam elevada rejeição às apostas e mostram que o endividamento das famílias e seus impactos financeiros passaram a integrar as preocupações dos eleitores. Para a CDL Petrópolis, o fato de as bets terem chegado simultaneamente à agenda econômica, social e eleitoral demonstra a dimensão do problema e reforça a necessidade de uma discussão responsável sobre seus efeitos no consumo, no crédito, na renda das famílias e na economia.

 

“Independentemente de posições políticas, existe uma questão econômica concreta que precisa ser enfrentada. Quando uma família perde capacidade de consumo, isso repercute no comércio, nos serviços e nos empregos. O debate eleitoral pode ajudar a trazer o tema para o centro da discussão, mas precisamos olhar para além da eleição e encontrar soluções que protejam a renda das famílias e preservem a circulação de recursos na economia”, analisa Cláudio Mohammad.

 

Por Redação GBNEWS

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