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Benny Briolly: Alvo de ameaças vereadora trans de Niterói deixa o país

14 de mai. de 2021
3 min de leitura

Rio de Janeiro, 14/5/2021

Por Redação GBNEWS


Para se proteger de ameaças a vereadora Benny Briolly (PSOL), primeira parlamentar trans eleita em Niterói, deixa o país por pelo menos 15 dias. O anúncio foi feito nas redes sociais, mas ela participará das sessões da Câmara de Niterói de forma virtual.

Segundo o presidente do PSOL Niterói, Daniel Vieira Nunes, a política de ódio não vencerá e o Estado precisa garantir a integridade da vida e da atuação parlamentar de uma vereadora eleita.


Em um comunicado postado em suas redes sociais, a equipe da parlamentar ressaltou que mesmo antes de ser empossada, em dezembro, ela já havia sido alvo de ataques preconceituosos. A assessoria de imprensa de Benny confirmou a informação de que ela já deixou o Brasil.


"Não é de hoje que parlamentares negras, travestis, mulheres, LGBTQIA + e defensoras dos direitos humanos sofrem com a violência política dentro e fora dos espaços legislativos e de tomadas de decisões", destaca a nota. "Essa prática é fruto da estrutura patriarcal e racista que desumaniza nossos corpos e teme o avanço do nosso projeto político de transformação da sociedade".


Já fazem cinco meses que a vereadora vem enfrentando diversas ameaças e ofensas, tanto no campo virtual como físico. Uma das mais graves envolveu um e-mail citando o endereço da vereadora enquanto exigia sua renúncia do cargo e a ameaçava de morte caso não o fizesse.

"Além disso, Benny recebeu comentários em suas redes sociais desejando que 'a metralhadora do Ronnie Lessa' a atingisse", acrescenta a postagem. "Paralelo a isso, uma série de incidentes de segurança tem nos deixado cada vez mais alerta. As instituições que atuam na proteção de defensoras de direitos humanos e têm acompanhado esses acontecimentos estão cada vez mais preocupadas com o aumento do risco. Nossa Mandata já comunicou, informou e oficiou várias instâncias do Estado brasileiro sobre a grave situação. Mas até o momento não foram tomadas medidas efetivas que protejam sua vida e seus direitos políticos".


O PSOL considerou como "medida drástica" a saída temporária de Benny do país.

"O que é absurdo e incompatível com o Estado democrático", afirmou. "Benny segue acompanhando as sessões plenárias da Câmara Municipal de Niterói, que por conta da Pandemia estão sendo virtuais".


"Toda a equipe da Mandata de Favela segue firme trabalhando com muitas ações legislativas e a frente da Comissão de Direitos Humanos, da Criança e do Adolescente que a vereadora preside. Porém é inegável que o afastamento cercea seus direitos políticos e prejudica profundamente o exercício do cargo para qual Benny foi eleita: vereadora de Niterói. Não aceitaremos! Seguimos cobrando providências, para que tão logo ela possa retornar".


Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL, acredita que a perseguição à vereadora é uma expressão da situação de degradação da democracia brasileira.

— As violências que levaram a Benny sair do país para proteger sua vida são as mesmas que colocam o país na vergonhosa posição de ser o que que mais mata pessoas trans no mundo — declara Juliano.


Segundo dados do relatório anual da Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra), em 2020 ocorreram 175 assassinatos de pessoas transexuais, sendo em sua maioria mulheres negras e pobres.


Em 2020, a deputada federal Talíria Petrone (PSOL), que também se encontra em estado de grave ameaça, precisou mudar de estado para que sua vida estivesse assegurada. Em solidariedade à vereadora Benny Briolly, ela disse que "é inadmissível que uma vereadora não consiga exercer seu mandato devido à violência política e ameaças".


— Benny é nossa companheira e seu mandato é essencial para a cidade de Niterói. Não podemos aceitar o que está acontecendo. Toda nossa força e solidariedade!


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