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Adolescente escapa de sequestro; motorista é preso e deputada fala da Lei de Defesa para Mulheres

há 15 horas
3 min de leitura

Rio de Janeiro, 09/9/2026

Cenas foram flagradas por câmeras de segurança (Foto: Reprodução)


Os poucos segundos que separaram uma adolescente de 16 anos de um possível desfecho trágico começaram com um gesto de sobrevivência. Puxada para dentro de um carro quando voltava da escola, no Engenho Novo, Zona Norte do Rio, a jovem utilizou um spray de defesa contra o homem que a levava e conseguiu saltar do veículo em movimento.

 

O suspeito, identificado como Anderson Rodrigues Leite, foi localizado pela Polícia Civil em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, na noite de terça-feira (8). Levado à 23ª DP (Méier), ele foi preso na madrugada desta quarta-feira (9), após a expedição de mandado judicial. O caso é investigado como tentativa de sequestro e roubo.


O crime aconteceu por volta das 19h40 de sexta-feira (4), na Rua Dona Romana. Segundo o relato do pai da adolescente, o homem levantou a camisa e fingiu estar armado. A jovem acreditou inicialmente que se tratava de um assalto e se aproximou para entregar o celular, mas foi puxada para dentro do automóvel.

 

Com o carro em movimento, ela esperou um instante de distração do motorista, atingiu o rosto dele com o spray e abriu a porta. A adolescente sofreu escoriações no joelho e bateu a cabeça durante a queda, mas conseguiu correr até um condomínio próximo e pedir ajuda.


Equipes da 23ª DP, da 44ª DP (Inhaúma) e da Divisão Antissequestro participaram da investigação. Imagens de câmeras de segurança e informações obtidas pelo sistema de monitoramento Civitas auxiliaram na identificação do veículo, posteriormente encontrado em Irajá, e na localização do suspeito.

(foto divulgação)


Para a deputada estadual Sarah Poncio, coautora original da Lei Estadual nº 11.025/2025, ao lado do deputado Rodrigo Amorim, o caso evidencia a importância de garantir às mulheres acesso regulamentado a instrumentos não letais de legítima defesa.

 

“Essa adolescente não usou o spray para proteger um celular. Ela usou para proteger a própria vida. Quando percebeu que estava sendo levada, conseguiu criar os segundos necessários para fugir e pedir ajuda. É exatamente essa chance de sobrevivência que defendemos. Nenhuma mulher deveria precisar passar por isso, mas, enquanto o Estado não consegue estar presente em todos os lugares, ela precisa ter ao menos uma possibilidade de defesa”, afirmou Sarah.


A parlamentar ressalta que o episódio não deve ser interpretado como incentivo para reagir a assaltos ou colocar a vida em risco por bens materiais. Nesse caso, segundo os relatos, a abordagem inicialmente apresentada como roubo evoluiu para a retirada forçada da adolescente do local.


“Não estamos falando de reagir para salvar um objeto. Estamos falando de uma jovem que foi puxada para dentro de um carro e precisou impedir que aquele homem continuasse levando-a. O spray não substitui a polícia nem retira do Estado sua responsabilidade. Ele oferece uma oportunidade de fuga diante de uma ameaça extrema. Toda vida protegida importa”, completou.

 

Sancionada em novembro de 2025, a Lei nº 11.025 reconhece o spray de extratos vegetais, dentro dos limites estabelecidos pela norma, como instrumento não letal de legítima defesa para mulheres no Estado do Rio. A legislação regulamenta a comercialização, dispensa receita médica e estende o direito de adquirir, possuir e portar o produto às mulheres a partir dos 16 anos, mediante autorização dos responsáveis legais.


A norma também autoriza o Estado a fornecer gratuitamente o spray às mulheres vítimas de violência doméstica protegidas por medida protetiva, com previsão de ressarcimento dos custos pelo agressor.

 

Para Sarah Poncio, a prisão do suspeito encerra uma primeira etapa da resposta pública, mas o episódio deixa uma advertência maior.


“A prisão é uma resposta necessária. A volta dessa adolescente para casa é uma vitória da vida. Agora precisamos continuar trabalhando para que nenhuma mulher seja deixada completamente indefesa diante da violência”, concluiu.


Por Redação GBNEWS

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