Golpe da Fé: Polícia mira quadrilha que dava trambique nos fiéis em Niterói
Rio de Janeiro, 18/8/2026

(foto divulgação)
Agentes da Delegacia de Combate à Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (Dcoc-LD) cumpriram nesta terça-feira (18), 23 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas em endereços de Niterói, Rio, São Gonçalo, Duque de Caxias e na cidade de São Paulo.
Foram apreendidos documentos, dispositivos eletrônicos, mídias de armazenamento, joias, veículos e valores em espécie relacionados aos crimes de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A Operação Golpe de Fé foi para desarticular um grupo especializado em aplicar golpes financeiros e lavar dinheiro por meio de um banco digital falso vinculado a uma igreja evangélica. Segundo a corporação, a quadrilha causou um prejuízo superior a R$ 1 milhão às vítimas e envolveu os clientes em um esquema de pirâmide financeira.

(foto reprodução/Instagram)
Segundo investigações, o pastor Roberto Soares - da Igreja Apostólica Vida e Adoração, inicialmente localizada em São Gonçalo e atualmente instalada em Niterói - utilizava sua posição de líder religioso para conquistar a confiança dos fiéis e influenciá-los a investir na plataforma "Gal Invest Bank", operada pela empresa Grupo América Latina, conhecida entre as vítimas como "Banco do Pastor".
A promessa feita aos devotos eram rendimentos de, aproximadamente, 10% ao mês dos valores investidos. Após a captação dos recursos, os lucros prometidos deixavam de ser pagos, sob justificativas diversas. Para a especializada, a quadrilha envolveu os clientes em um esquema de pirâmide financeira.
"Consistia no famoso golpe da pirâmide. Ele arrecadava valores com a promessa de devolver e efetuava os primeiros pagamentos. As pessoas se empolgavam e depositavam mais. Depois de passar um certo tempo, os valores eram subtraídos e não voltavam mais para as pessoas. Ele subtraía para si. Na verdade, usava o púlpito como um verdadeiro balcão de negócios", explicou o delegado Vinicius Miranda, titular da Dcoc-LD.
As investigações apontam que o esquema não se limitava à atuação individual dos suspeitos. Há indícios de que o grupo atua de forma estável e estruturada, com divisão de cargos, como: pessoas que conquistam os clientes, operadores financeiros e quem fica com a gestão e circulação do dinheiro das vítimas.
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