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Aldeia Guarani vai ocupar a primeira reserva indígena de Maricá

Rio de Janeiro, 19/4/2023

Por Redação GBNEWS

Fotos: Evelen Gouvêa

Começou o reassentamento da aldeia indígena Céu Azul (Tekoa Ara Hovy), da etnia Guarani, em área cedida no bairro Espraiado, Zona Rural de Maricá, que se tornará a primeira reserva indígena municipal. A iniciativa marca as comemorações pelo Dia dos Povos Indígenas, celebrado nessa quarta-feira (19), e reuniu representantes das secretarias de Participação Popular, Direitos Humanos e Mulher e de Agricultura, Pecuária e Pesca, da autarquia Serviços de Obras (Somar), além da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Defensoria Pública da União. A aldeia terá 13 ocas e será construída por funcionários da autarquia Somar (Serviços de Obras de Maricá), em parceria com os indígenas, que aplicarão técnicas próprias e culturais. A previsão é de que a obra seja concluída até o fim deste ano.

Secretário Birigu fala aos índios sobre as propostas da prefeitura

“Estamos devolvendo as terras aos povos originários e essa é uma reparação histórica. Passamos por todas as etapas do processo de regularização ambiental e agora estamos dando início as construções. Nós somos apenas instrumentos de transformação da sociedade, legitimando o espaço dos indígenas. É importante ressaltar que estamos trabalhando em conjunto para garantir a dignidade dos indígenas, devolvendo a terra que é deles”, explicou o secretário de Participação Popular, Direitos Humanos e Mulher, João Carlos de Lima (Birigu).

A nova aldeia contará ainda com cozinha comunitária, banheiros externos, centro cultural indígena, restaurante com comidas típicas, posto de saúde e escola, além de uma área destinada às atividades esportivas indígenas. Toda a construção será feita com madeira, telhado composto por telha e sapê, além de paredes de pau a pique. O defensor público federal, Thales Arcoverde Treiger, visitou a área e falou sobre a garantia dos direitos aos indígenas. “Esse é um processo único de atuação do poder público com a comunidade indígena. Essa ação garante o direito à moradia e à manifestação cultural. Com a vinda da aldeia para uma área apropriada, que ela pode desenvolver todo o seu potencial cultural, acaba sendo importante para toda a população. A construção de uma terra indígena a partir de um munícipio é algo que não existe em outro local no país. Essa é uma oportunidade única de conhecimento e de garantia do povo guarani. Estaremos sempre acompanhando e garantindo o protagonismo indígena e a voz dos povos originários”, afirmou. Chefe da Coordenação Técnica Local Paraty da Funai, Rosângela Nunes, destacou a importância da garantia do município em destinar um espaço exclusivo aos indígenas com a criação da aldeia.

“A Funai entende que este é um movimento histórico e pioneiro de acolhimento e implantação de políticas públicas para os indígenas. A parceria entre o poder público municipal e a comunidade indígena assegura um espaço legítimo de propriedade para o desenvolvimento e valorização da cultura Guarani”, destacou. Indígenas comemoram conquista Provenientes das regiões sul e sudeste do Brasil, cerca de 50 indígenas da etnia Guarani Mbya fundaram há dez anos a Aldeia Céu Azul, em Itaipuaçu, Maricá. A terra onde vivem hoje foi cedida por um empresário e faz parte da área do Parque Estadual Serra da Tiririca, onde foram instaladas suas casas e escola, mas o local não dispõe de recursos, como água e terra fértil para o plantio.

Líder indígena, o cacique Vanderlei Weraxunu ressaltou a importância da destinação definitiva da área pela prefeitura para abrigar a aldeia. “Essa é uma luta antiga e estamos muito felizes com o local. O novo espaço nos garante mais recursos, como plantio, criação de animais, além de escola e saúde para nós. Todos terão suas casas e locais em comum”, destacou. O indígena Felix Karaí destacou sobre a escolha e definição do local, que foi pensada junto com a comunidade. “Desde que chegamos a Maricá estamos em busca de um local melhor. Estamos muito agradecidos pelo espaço, desde o início do processo eles nos procuraram, mostraram o local e nos perguntaram se era o que queríamos e está sendo tudo sendo feito com a nossa opinião. Agora temos um local de mata, com os nossos direitos. Estamos muito felizes”, disse.



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