Niterói adere à Campanha do Sinal Vermelho contra a violência doméstica

Campanha da AMB e CNJ  propõe que as farmácias funcionem como rede de apoio a mulheres vítimas. No primeiro semestre de 2020, a Coordenadoria de Direitos da Mulher já atendeu quase 500 casos de violência dentro de casa

                                                        Niterói adere à campanha "Sinal Vermelho Contra a Violência Doméstica (fotos Douglas Macedo )


Mais um importante passo na luta contra a violência doméstica foi dado nesta sexta-feira (24). Representantes da Prefeitura de Niterói assinaram um termo de adesão à Campanha Sinal Vermelho Contra a Violência Doméstica. A iniciativa, em benefício das mulheres vítimas de violência doméstica e familiar no Brasil, busca ampliar a rede de apoio às mulheres. A campanha segue as diretrizes da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgãos idealizadores do projeto.

 

A campanha propõe que as farmácias funcionem como rede de apoio a mulheres que sofrem violência. Com isso, aquelas que sofrem algum tipo de violência poderão ir a um desses estabelecimentos, com um X vermelho marcado na mão, ou até falar sobre situações de violência sofridas. O atendente é orientado a levar a vítima para uma sala, ou algum lugar da farmácia, e deixá-la em segurança até ligar para o 190, para que a polícia vá prestar apoio a essa mulher, sem que a pessoa que fez a ligação precise ser testemunha, exceto se a agressão acontecer dentro do estabelecimento.

A Coordenadoria de Direitos da Mulher do Município de Niterói (Codim) atendeu, neste primeiro semestre de 2020, 474 mulheres vítimas de violência. Neste período, quase 100 casos foram de primeiro atendimento. As medidas de prevenção à contaminação pela Covid-19 geraram um aumento das subnotificações. Alguns casos passaram a ser percebidos a partir da mobilização de vizinhos, familiares e organizações sociais que buscaram, nas redes sociais e nos canais de atendimento remoto, expor e denunciar episódios de violência doméstica, além de apoiar mulheres a romper com essa situação.

Uma das idealizadoras da campanha, a presidente da AMB, juíza Renata Gil, destacou a necessidade de criação de uma política nacional que englobe toda sociedade nesta ação.

“O Brasil ocupa o quinto lugar no ranking de país mais violento do mundo contra as mulheres, atrás apenas de Honduras, Venezuela, Guatemala e Rússia. Durante a pandemia, percebemos um grande número de subnotificações por conta de as mulheres ficarem enclausuradas com seus agressores e sem terem acesso aos serviços que estavam sem funcionamento de expedientes presenciais. A campanha Sinal Vermelho é um sinal mesmo para dizer: pare, chega, basta, é o limite!”, disse a juíza.

 

Sobre a escolha das farmácias, Renata Gil explicou que foi pensado um ambiente neutro, que desse condições da mulher recorrer e que tivesse um fácil acesso, já que esses estabelecimentos existem em várias localidades, não fecharam durante a pandemia e, em muitos lugares, funcionam 24 horas, além de terem nos atendentes e farmacêuticos pessoas treinadas em saúde.

 

“A campanha tem um tripé que leva em consideração a proteção da vida, a proteção da liberdade e o fortalecimento da rede de proteção que precisa que o estado brasileiro crie uma estratégia nacional de combate à violência da mulher. Precisamos que seja uma política de toda sociedade e englobe também os homens”, pontuou a juíza.

A Secretária de Fazenda de Niterói, Giovanna Victer, lembrou que a cidade tem uma grande presença feminina na gestão municipal. Ela frisou também que a violência doméstica talvez seja aquela mais covarde e a mais explícita, porque acontece onde a mulher não tem nenhuma condição de proteção ou de saída, seja financeira, emocional e até por conta dos filhos.

 

 

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