Morte de Claudinho Guimarães em Maricá deixa um vazio no mundo do samba


A família de Claudinho Guimarães, de 50 anos, ainda não informou se haverá velório, devido a pandemia do coronavírus, horário e local do enterro do sambista. Claudinho morreu neste domingo (14) durante atendimento no Posto de Saúde Santa Rita, no bairro Jardim Atlântico, Itaipuaçu, vítima de infarto fulminante

Claudinho Guimarães numa de suas apresentações em Maricá (fotos Katito Carvalho)

Nas redes sociais personalidades do mundo do samba lamentam a morte do sambista e compositor Claudinho Guimarães, como Zeca Pagodinho, Alexandre Oliveira (presidente da Escola de Samba Inocentes de Maricá) e, numa live neste domingo, o cantor Diogo Nogueira prestou uma homenagem ao amigo cantando a música “Quando a Gira Girou”.

Em nota, a Prefeitura de Maricá lamenta a morte do sambista carioca que escolheu a cidade para morar com a família. “A última apresentação do artista, foi nas lives musicais comemorativas dos 206 anos de emancipação da cidade, em maio”, diz o comunicado.

Recentemente, preocupado com a pandemia da Covid-19, compôs e gravou um samba para homenagear quem trabalha na linha de frente e ajudar na campanha de conscientização da população em torno da importância do isolamento social e de ações de higiene pessoal.

"Eu tinha feito uma música falando do médico e enfermeiro. Aí uma amiga de Facebook, que é motorista de uma ambulância, veio no privado e falou: Eu não quero me meter não, mas tem tanta gente que trabalha nessa área também. Aí eu parei em baixo do pé de pitanga e consegui fazer uma música e colocar bastante gente", disse.

"Mas todo mundo pode se sentir abraçado e homenageado porque vocês são nota 10 e estão fazendo um diferencial nessa campanha”, relembrou, cantarolando o samba na entrevista concedida antes da apresentação pelos 206 anos da cidade.

Claudinho Guimarães tinha vários sucessos gravados nas vozes de grandes sambistas como Zeca Pagodinho, que gravou os sucessos “Quando a Gira Girou”, “Lá vai Marola” e Shopping Móvel”; Alcione “Mangueira é Mãe”; além de Beth Carvalho, Leandro Sapucahí e Diogo Nogueira com a música “Da Melhor Qualidade”. Em uma live apresentada na tarde deste domingo (14), o cantor Diogo Nogueira prestou uma homenagem a Claudinho Guimarães cantando a música “Quando a Gira Girou”.

Natural do Rio de Janeiro, com 14 anos Claudinho começou a tocar pandeiro, talento herdado da família, mais precisamente, da Dona Gina, do avó materno Manoel, pandeirista, e do primo Edinho, cavaquinista e violinista.

Aos 15 anos, influenciado pelo partido-alto que escutava na rua, Claudinho trocou o pandeiro pelo cavaquinho e nunca mais se separou do instrumento de corda. Foi uma questão natural.

Mais tarde, iniciou a carreira de músico e rapidamente passou a integrar importantes projetos musicais na cidade do Rio de Janeiro e, sobretudo, no bairro da Lapa, um dos redutos do samba carioca, acompanhando grandes nomes, como Almir Guineto, Monarco, Nelson Sargento, Jovelina Pérola Negra, Sombrinha, Arlindo Cruz, Walter Alfaiate, Wilson das Neves, Nei Lopes, Guilherme de Britto, entre outros. Também fez parte do “Força da Cor”, grupo que gravou um LP, em 1993, pela gravadora Continental.

A partir dos anos 2000, Claudinho começou a amadurecer como artista, assumindo o canto e iniciando sua trajetória de compositor. Fez parcerias musicais significativas com amigos e compositores, como Serginho Meriti, Tiago Mocotó, Evandro Lima e Júlio do Banjo.

Toda essa experiência acumulada fez com que Claudinho seguisse o percurso natural: iniciar a sua carreira solo e, consequentemente, produzir uma discografia. Primeiro, em 2009, lançou o CD Luz do Criador, com produção do parceiro Evandro Lima. Já, em 2013, veio o segundo álbum intitulado “De Bem com Vida”, com produção do Rildo Hora.

Outro registro fonográfico marcante da carreira de Claudinho Guimarães é a presença na terceira edição do Quintal do Pagodinho, lançado em 2016. Claudinho Guimarães foi um dos destaques da edição, ao lado de nomes como Paulinho da Viola, Maria Rita, Diogo Nogueira e Moacyr Luz.

ATUALIZAÇÃO: o corpo de Claudinho Guimarães foi enterrado no início da tarde de hoje no Cemitério Municipal de Maricá. Não houve velório para evitar aglomerações devido a pandemia do Covid-19.