Carnaval 2020: bloco une diversão e tratamento psicossocial em Niterói

Com o samba enredo “Tempo, minha alucinação”,

grupo desfilou do Centro até são Domingos reunindo cerca de 200 pessoas

                                                                                                                                         (fotos Berg Silva)

 

Loucos? Sim, "Loucos Pela Vida"! Esse é o nome do tradicional bloco carnavalesco da rede de Saúde Mental de Niterói, organizado pelo Centro de Convivência e Cultura (CCCN), que, na tarde desta quinta-feira (13), reuniu cerca de 200 pessoas em desfile pelo Centro da cidade. O bloco iniciou a concentração na Praça Arariboia e, embalado pelo samba enredo “Tempo, minha alucinação”, seguiu até São Domingos com muita animação.

Ao som da bateria do Mestre Careca e de componentes do grupo niteroiense Bicho Solto, o bloco, que teve até trio elétrico estilizado, saiu em desfile cercado por foliões, empolgados e fantasiados, sob chuva de confetes, serpentinas e fogos artifício.

 

Lucineide Almirante, conhecida com Lu, de 38 anos, faz acompanhamento terapêutico na rede e integra o grupo musical do CCCN. Há dois anos, Lu puxa o samba de cima do trio elétrico e diz que o bloco é uma voz a mais para que as pessoas possam perceber que todos são iguais.

“Quando pensamos em saúde mental, ainda tem muito preconceito e resistência. Esse momento vem mostrar que todo mundo pode se unir nas ruas e ocupar os espaços. Trazemos uma mensagem importante de que somos, sim, atendidos pelo setor de saúde mental, cada um dentro de suas particularidades, mas que nós todos temos consciência cidadã e sabemos nosso papel no convívio social. Quem é normal, afinal? Somos todos loucos pela vida!”, terminou.

 

O bloco desfila há 20 carnavais e reúne profissionais de saúde, pacientes dos diversos serviços de saúde mental, familiares, amigos e outras pessoas que estejam passando pelo local, conforme explica a coordenadora do CCCN, Wal Tomaz:

 

“Nesses 20 anos de "Loucos pela Vida", insistimos em falar de saúde, incentivando a expressão das pessoas. O carnaval tem esse poder, já que as ruas e os espaços sociais se tornam um grande palco, fazendo a população festejar conosco e compreender a importância da convivência para esse grupo. É algo que vai na contramão do cotidiano, que isola e aliena. É uma loucura que não pode ser trancada”, comemorou.

 

O coordenador da rede de Saúde Mental do município, Carlos Castro, destacou a importância do desfile.

 

“Esse evento reforça todo o trabalho que é feito diariamente pelo Centro de Convivências, que leva os nossos usuários ao convívio com toda a sociedade, seja num museu, numa praça, ou em um desfile carnavalesco. Vamos sempre priorizar o acesso do paciente da saúde mental aos espaços de cultura e lazer da cidade. Esse bloco reflete todo esse empenho da rede", destacou o psicólogo.

 

O desfile reuniu usuários do Centro de Atenção Psicossocial (CAPs) Herbert de Souza, Casa do Largo, Monteiro Lobato e o Álcool e Drogas (AD) Alameda, além dos ambulatórios da rede municipal de saúde.

 

 

 

 

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