Assassinatos de jornalistas: prefeito fala com Associação de Imprensa de Maricá

Várias entidades representativas exigem das autoridades que as investigações cheguem aos autores e mandantes dos assassinatos dos jornalistas Robson Giorno e Romário Barros, ocorridos em Maricá nos últimos dias. O prefeito da cidade, Fabiano Horta (PT), telefonou na manhã desta quinta-feira (20), feriado de Corpus Christi, para o presidente da Associação de Imprensa de Maricá, jornalista Paulo Celestino, proprietário do Jornal Gazeta e do portal 24 horas, que esteve na tarde de ontem (19), no Ministério Público de Maricá, numa reunião com promotores que atuam nesses dois casos

(internet/MaricaInfo)

"O prefeito disse que manteve encontro na tarde desta quarta-feira (19) com a cúpula da polícia civil do estado (conforme o GBNEWS noticiou). Ele pediu celeridade nas investigações dos assassinatos dos profissionais de imprensa e que os autores dos crimes sejam punidos conforme a lei determina. Horta destacou a importância da liberdade de expressão, que a imprensa é importante para a sociedade e que brevemente se reunirá com os jornalistas da cidade", falou Celestino.

A exemplo do prefeito Fabiano Horta e da Associação de Imprensa de Maricá, entidades representativas do jornalismo também repudiaram os crimes, se solidarizaram com as famílias e com os profissionais da comunicação.

O Programa Tim Lopes, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), acompanha as investigações sobre os assassinatos. Abraji apura se as mortes de Romário Barros, na noite desta terça-feira (18), e Robson Giorno, em 25 de maio, foram provocadas por retaliações ao trabalho deles. “Caso seja confirmada a ligação com a profissão, o Programa Tim Lopes irá a Maricá para aprofundar a apuração, como feito em 2018 no caso do assassinato de Jairo Sousa, no Pará”.

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O Projeto Tim Lopes é uma resposta da Abraji à violência contra jornalistas, em especial no interior do país. O nome do projeto é uma homenagem ao repórter Tim Lopes (TV Globo), assassinado em 2002 quando fazia uma reportagem no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também se manifestou sobre os assassinatos em Maricá.

“Assim como o assassinato de Robson Giorno, é evidente que Romário também foi vítima de um crime premeditado, configurando uma execução”. De acordo com a Fenaj, a investigação de ambos os assassinatos deve ter como ponto de partida o exercício profissional e é preciso empenho para que os culpados sejam identificados e punidos.

“Exigimos das autoridades competentes celeridade na apuração dos casos, para que a população de Maricá e, em especial, os familiares dos jornalistas e a categoria possam ter uma resposta do Estado”.

A Fenaj lembrou ainda que: “a maior parte dos assassinatos de jornalistas fica impune e que a impunidade é o combustível da violência contra os profissionais”.

Para a Federação, a violência contra os profissionais caracteriza-se como atentado à liberdade de imprensa e, consequentemente, como cerceamento ao direito do cidadão e da cidadã brasileiros de ter acesso à informação jornalística.

Os dois jornalistas foram mortos a tiros. Giorno (45 anos), dono do portal e jornal impresso O Maricá e pré-candidato a prefeito em 2020, foi assassinado na porta de casa no bairro Boqueirão. Romário (31 anos), dono do portal de notícias Lei Seca Maricá, foi morto em Araçatiba, Centro.

Os dois casos estão sendo investigados pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo.