Júlio Lopes reconhece na CPI sua incompetência e culpa Cabral pelo desastre nos transportes

21.05.2018

O deputado federal Júlio Lopes (PP) confessou hoje (21) que não entendia nada de transportes, que avisou ao governador Sérgio Cabral (MDB) do seu desconhecimento da área, mas mesmo assim assumiu o comando da Secretaria de Estado de Transportes no período de 2008 a 2014, por indicação do presidente regional do seu partido,  atual vice-governador Francisco Dornelles. O reconhecimento da total incompetência e irresponsabilidade foi dito em Brasília no depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que investiga irregularidades no transporte do Rio de Janeiro. Lopes jogou toda a culpa no seu amigo de grandes viagens e noitadas no Brasil e no exterior, Sérgio Cabral que está preso em Bangu 8 por corrupção, improbidade administrativa, formação de quadrilha etc

 

                                                                                                                                                        foto internet

                            Anos depois do passeio animado de bicicleta em Paris, Júlio Lopes culpa Sergio Cabral pela sua passagem

                                               desastrosa na Secretaria de Transportes

 

No depoimento, Júlio Lopes disse que hoje conhece a área profundamente e jogou toda a responsabilidade em Sergio Cabral nas decisões relacionadas à realização de obras, reajustes de tarifas, licitações de linhas intermunicipais de ônibus, isenções fiscais a empresários do setor e o sucateamento dos bondes de Santa Teresa. De acordo com Lopes, tudo passava, primeiro, pelo crivo do ex-chefe da Casa Civil Regis Fichtner, e, em seguida, o martelo era batido pelo próprio ex-governador.

 

Entre as polêmicas, está a construção da linha 4 do metrô, que liga a Zona Sul do Rio à região da Barra da Tijuca. Segundo as investigações da Operação Lava Jato, Sérgio Cabral teria recebido R$ 50 milhões de propina da Odebrecht. Em delação premiada, um executivo da empresa declarou que Julio Lopes teria embolsado R$ 4 milhões. O deputado negou.

 

                                                                                                                                                                                                                                   foto Tiago Prata/divulgação

 

"Não autorizei a compra de nenhum parafuso. Não era da minha competência. Os atos de gestão estava subordinada à Casa Civil. A única coisa que eu fiz foram três aditivos de adequações após estudos realizados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). No fim, todas as autorizações eram feitas pelo ex-governador", disse Lopes. "Foram mais de 40 reuniões do comitê de gestão da linha 4 para a contratação de serviços. Sabe de quantas participei? Nenhuma", completou Lopes na foto a esquerda em depoimento aos representantes da Alerj.

 

As obras da linha 4 do metrô foram idealizadas em 1998 no governo Marcelo Alencar, quando o edital foi vencido pela empreiteira Queiroz Galvão. À época, tinha um custo de R$ 880 milhões. O projeto era considerado fundamental para a mobilidade de passageiros durante os Jogos Olímpicos de 2016. Em 2009, Cabral retomou a ideia e a Odebrecht entrou no consórcio. O valor final ficou em R$ 9,6 bilhões, conforme as investigações da Lava Jato.

 

"O ato que autorizou a entrada da Odebrecht no consórcio foi do ex-governador", afirmou o parlamentar.

Julio Lopes ainda responde por improbidade administrativa por causa do acidente, em 2011, que matou seis pessoas e feriu outras 57 no bonde de Santa Teresa. Os bens do deputado continuam bloqueados. Ele foi responsabilizado pelo Ministério Público pelo ocorrido.

 

O depoimento de Julio Lopes foi acompanhado pelos deputados estaduais Eliomar Coelho (Psol), presidente da CPI; Gilberto Palmares (PT) e Nivaldo Mulin (PR).

 

Como o ex-secretário de Transportes Júlio Lopes mora no Rio e a CPI da Assembleia Legislativa é do Rio, não seria interessante este depoimento ter sido feito no Rio? Como o Estado está em crise econômica, o dinheiro está curto, os três parlamentares teriam economizado a verba gasta em passagens aéreas e diárias.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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