Crise em Maricá: centenas de jovens deixam a UJS do PCdoB

28.03.2018

Insatisfeitos com a má liderança da Executiva Estadual da UJS, 207 lideranças políticas de Maricá que integravam a UJS se desfiliaram da organização socialista, vinculada ao PCdoB. Na carta escrita e divulgada pelos seus membros, os jovens explicam o motivo da saída e destacam: “Saímos da UJS não porque queremos, saímos porque fomos praticamente empurrados para fora.” , alegando que a Executiva tanto Estadual quanto Nacional reproduz as mesmas estruturas de poder da Velha Política, impossibilitando que os jovens participem dos espaços e das decisões tomadas

 

                                                                                                                                    foto divulgação

                        Confira na íntegra a carta escrita e divulgada em nome de todos os jovens:

 

 "Sonhar juntos...

 

Se olharmos para nossas vidas há 5 anos, vemos cada um de nós vivendo de forma simples, sem grandes pretensões...  Cada um de nós em seus bairros e favelas, com nossas famílias e caminhos distintos.

Sonhos? Cada um com seu!

Futuro? Talvez.

Certeza? Alguma...

 

Por sorte, em 2015 Maricá deu início à uma verdadeira revolução, que mudou a trajetória de cada um de nós. O Movimento Estudantil chegou nas escolas e nossa "rebeldia consequente" deu origem a União Maricaense dos Estudantes (UMES). Foi lindo ver cerca de 500 estudantes de uma pequena cidade, terem seu primeiro contato com a política.

 

Ao longo dessa trajetória a vida colocou em nossos caminhos a gloriosa União da Juventude Socialista (UJS). E de lá para cá não teve um segundo sequer, em que paramos. Nessa escola de lutas construímos:

 

- 2 Congressos Municipais da UMES - Maricá, com cerca de 500 estudantes, cada um;

 

- O maior Congresso Municipal da UJS, no estado do RJ durante a última campanha;

 

- A maior delegação Municipal do estado no último congresso da UBES;

 

- A cidade do Rio com maior mobilização e participação nos últimos Congressos Estaduais e Nacional da UJS (levamos mais de 100 estudantes no último congresso da UNE);

 

- Fizemos núcleos nos bairros de São José, Centro, Ponta Negra, no MCMV de Itaipuaçu e no MCMV de Inoã;

 

- Construímos mais de 30 grêmios em todas as regiões da cidade;

 

- Organizamos 3 rodas culturais e o Ruasia Poesia de Rua;

 

- Atos contra o golpe e as passeatas contra a Amparo em defesa da empresa de transporte público EPT e vários atos contra aumentos das passagens.

 

Para que contar tudo isso?

 

Para que vocês possam entender pelo menos um pouquinho de nossa trajetória...

 

Porque hoje anunciamos uma decisão difícil porém necessária, nossa saída da UJS.

 

No Estado do RJ, a Executiva da UJS já não representa mais os anseios da base. E está tomada por interesses individuais! A Presidência de Igor Mayworm é um desastre e deixou em "ruínas" a capilaridade da UJS, em municípios extremamente importantes para a luta. Todos que discordam da forma com que as coisas vem sendo feitas, são encarados como inimigos e isolados. A regra é: "ou se segue o projeto de Igor e Daniel Iliescu ou você está fora".

 

Poderíamos aqui enumerar o desempenho pífio da UJS - RJ no Congresso da UBES, os municípios em que ela não existe mais, ou a condução desastrosa dos conflitos. Somente para provar que os problemas existem! Temos a certeza que tais adversidades, não se resumem a um déficit de desempenho e tática, mas sim a um grande problema político.

 

Nos espaços em que participamos e construímos ativamente, fomos fortemente marginalizados. Os motivos eram óbvios e sempre os mesmos: nossos militantes em sua grande maioria vem do Minha Casa Minha Vida, das favelas e da periferia de Maricá. Nossas vestimentas são diferentes e nossa forma de falar e se expressar também. Foi difícil durante todos esses anos aguentar os olhares tortos e de indiferença, mas resistimos e continuamos na luta. Podemos usar o exemplo do CONUNE, aonde grande parte dos nossos militantes não tinham ideia de quem faz parte da executiva ou não. Nunca nem tinham visto a cara de muitos ali. A base não é obrigada a chegar em todos os espaços se apresentando e tentando entender o que está acontecendo, cabe aos principais dirigentes os guiar em seus primeiros passos dentro das trincheiras de luta. Porém é difícil isso acontecer, se os mesmos dirigentes tem medo ou receio de falar com um favelado, por conta de suas roupas e seu jeito de falar.

 

Sabemos que é difícil compreender as dificuldades que nós, jovens do gueto, passamos.

 

Não nos vemos mais representados em nossa Direção Estadual e muito menos na Nacional!

 

Reproduzem-se as mesmas estruturas de Poder da Velha Política. Participar dos espaços e das decisões torna-se impossível, para aqueles que não são seus amigos ou não estão entre os seus. A minoria sobrepõe-se à maioria e são os INTERESSES INDIVIDUAIS desses pequenos grupos que passam a dirigir a vontade da organização. Onde está o Centralismo Democrático quando a base não é escutada? Quando os espaços de discussão são apenas mais um procedimento padrão a ser fortemente ignorado (a ser "tratorado" como a UJS tanto gosta de falar), frente às decisões a serem tomadas...

 

SAÍMOS DA UJS NÃO PORQUE QUEREMOS, saímos porque fomos praticamente empurrados para fora.

 

Nossa construção em Maricá sempre foi coletiva e popular, porque para nós a tarefa da Revolução Socialista não é para um grupo de iluminados ou de amigos, mas sim do POVO.

 

Foi assim que aprendemos que é preciso sonhar juntos, pois “sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade”!

Hoje saímos juntos com o objetivo de continuar nossas lutas coletivas e populares, porque acreditamos que a saída é construir com Povo e essa é uma das mais dolorosas escolhas que fazemos.

 

"Líderes vão e vem, mas o povo permanece. Apenas o povo é imortal." - Joseph Stalin"

 

 

 

 

 

 

 

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