Estado está aberto à exposição 'Queermuseu'

Escola de Artes Visuais está aberta para receber a mostra.

Para o secretário de Cultura, 'o estado não tem que tutelar o cidadão'.

Deputados fluminenses repudiam a exposição

Obra da exposição 'Queermuseu', fechada pelo Santander Cultural em Porto Alegre

(Foto: RBS/Reprodução)

Em meio a polêmicas com veto da prefeitura do Rio, a escola de Artes Visuais do Parque Lage, na Zona Sul , quer receber a exposição "Queermuseu", segundo o secretário estadual de Cultura, André Lazaroni. Nesta terça (3), o Conselho Municipal do Museu de Arte do Rio (Conmar) cancelou as negociações para trazer à cidade a exposição e o prefeito Crivella garante que não é censura..


“Nós colocamos o equipamento do estado à disposição, que é a escola de Artes Visuais, no Parque Lage. Não há liberdade sem arte, essa é a nossa visão. Não temos dinheiro para trazer a exposição, mas o equipamento está à disposição”, afirmou o secretário na manhã desta quarta-feira (4), destacando que é necessário fazer a indicação de classificação etária e que os pais tenham autonomia para escolher o que os filhos vão assistir.

Ainda segundo o secretário, não é competência do estado definir se a população pode ou não assistir à mostra. “A arte deve ser livre, a arte deve se comunicar, a arte ela liberta e a liberdade vem através da arte. Mas entendemos também que precisamos de uma classificação etária e os pais que entenderem que seus filhos têm condições de assistir à exposição, aí é uma questão dos pais”, garantiu o secretário.

No fim de semana, o prefeito Marcelo Crivella (PRB) divulgou um vídeo nas redes sociais criticando a possibilidade de as obras serem exibidas na cidade. Hoje (4), o prefeito alegou que o veto à exposição não é censura.


“Não fui eu, o povo do Rio de Janeiro, majoritariamente, não quer a exposição no Rio. Não queriam em São Paulo, não quiseram em Porto Alegre e aqui também não. É o povo do Rio, eu sou apenas uma expressão desse povo do Rio. E não é censura prévia, não. As pessoas viram na internet toda questão de zoofilia, pedofilia, ninguém quer saber disso”, garantiu.


Sobre a afirmação de Crivella, Lazaroni afirma que trata-se se um “equívoco”.


“É um entendimento pessoal do prefeito e na minha visão é um equívoco. Eu considero um equívoco. Acho que vetar uma exposição não soluciona. E taxá-la como uma exposição de zoofilia, de pedofilia, só radicaliza. Considero um equívoco do prefeito”, disse o secretário de cultura do governo Luiz Fernando Pezão (PMDB).


Nesta quarta, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) publicou no Diário Oficial do Poder Legislativo uma "moção de repúdio de indignação" à exposição. O documento ressalta que a exposição "utilizou verbas públicas para ferir a legislação vigente e agredir a formação moral, bons costumes e valores familiares da população fluminense", estende as críticas ao curador da mostra, Gaudêncio Fidelis, e critica a falta de classificação etária, que "constrange famílias sem aviso prévio".