Operação Ponto Final continua no Rio e juiz bloqueia R$ 500 milhões

05.07.2017

                                                                        Uma condução coercitiva é feita na Zona Sul do Rio              reprodução/TV Globo

 

A Polícia Federal continua com a Operação Ponto Final que começou na segunda-feira e cumpre três mandados de busca e apreensão e condução coercitiva. Todos os envolvidos estão ligados a área de transportes no Rio de Janeiro que contava, inclusive, com a participação do ex-governador Sergio Cabral. Dez pessoas foram presas, entre elas, o empresário Jacob Barata Filho, dono de dezenas de empresas de ônibus, que estava no Aeroporto Internacional Tom Jobim, pronto para embarcar para Portugal.

 

Hoje, um dos mandados foi cumprido na Rua Alberto de Campos, em Ipanema, na Zona Sul, por volta das 6h30. Segundo as investigações, empresários são acusados de desviar pelo menos R$ 500 milhões. O crime ocorria durante o governo de Sérgio Cabral, que está preso desde novembro do ano passado, e foi condenado a 14 anos de cadeia.

 

As investigações da PF e do Ministério Público Federal (MPF) apontam ainda que, além dos empresários, o esquema envolvia políticos, agentes públicos e responsáveis por fiscalizar os transportes.

 

Juiz bloqueia R$ 520 milhões

 

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, determinou o bloqueio de até R$ 520,3 milhões da Federação das Empresas de Transportes do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor). Também determinou o bloqueio de igual valor dos maiores empresários de ônibus do estado, bem como de empresas que eles possuam ou sejam sócios.

 

 A medida, divulgada nesta terça-feira, foi pedida pelo Ministério Público Federal (MPF) a Bretas, que deferiu o pleito na totalidade. O juiz também decidiu pelo sequestro de imóveis, veículos, barcos e até aeronaves dos envolvidos na Operação Ponto Final, deflagrada na segunda-feira, que desbaratou um antigo esquema de pagamento de propina das empresas a políticos e que levou vários desses empresários à cadeia.

 

“Determino o sequestro/arresto dos bens móveis e imóveis dos investigados e das pessoas jurídicas a eles vinculadas nos termos requeridos pelo MPF”, decidiu Bretas no processo, que investiga o pagamento milionário de propina por parte das empresas e da Fetranspor, com objetivo de praticarem tarifas mais altas, ao longo de anos, lesando os passageiros.

 

Foram citados na decisão, com bloqueio individual de R$ 520,3 milhões, os seguintes envolvidos: José Carlos Reis Lavouras, Empresa de Transporte Flores Ltda., JCRL Participação e Administração de Bens Ltda., Atlântico Participações e Empreendimentos Ltda., JAL Empreendimentos e Participação Ltda., Miriam Minas Rio Automóveis e Máquinas S./A., New Way Administração de Bens Próprios Ltda., Jacob Barata Filho, Guanabara Diesel Comércio e Representações S./A., Alpha Participações S./A., Catobira Administrações de Bens Ltda., GH Guanabara Holding Participações Ltda.

 

O advogado Marcelo Carpenter, que defende a Fetranspor, considerou que a decisão de Bretas pode inviabilizar o sistema de ônibus do Rio. Ele disse que vai entrar, nesta quarta-feira, com um pedido de reconsideração da decisão do magistrado. “Acredito que o juiz Bretas não tenha sido alertado da gravidade da decisão. Se ela for levada a cabo, pode provocar o colapso do sistema”.

 

 

 

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